Era o magrelo baiano cabeludo de um lado e o magrelo capixaba cabeludo de outro. Na Londres de 1969, Caetano Veloso recebeu uma ligação local de Roberto Carlos. O baiano estava na pior, exilado pela ditadura, triste, sem previsão de regresso e morando com um “viajante” Gilberto Gil. Roberto estava na melhor. Já era rei no Brasil, não tinha problemas com militares e gravava na Inglaterra seu filme O Diamante Cor-de-Rosa.
Roberto queria dar uma passadinha para ver o amigo. A passadinha rendeu. Dois anos depois da visita, seria lançada a canção Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, que Roberto fez discretamente para agradar o cabisbaixo Caetano sem desagradar os homens de coturno (o nome de Caetano Veloso nunca aparece na letra). E quase 40 anos depois da mesma reunião, Caetano e Roberto sobem a um palco, hoje e amanhã, no Auditório Ibirapuera, para um show em homenagem a Tom Jobim, apresentado na sexta-feira passada no Rio de Janeiro.
A apresentação terá 21 canções e não será gravado em CD ou DVD, segundo informa a assessoria de imprensa do espetáculo. A idéia de se registrar o encontro chegou a ser cogitada, mas não houve acordo entre as gravadoras dos músicos. O esquema será do “quem viu, viu”. Os ingressos se esgotaram em minutos e não há previsão de nova temporada.
Haverá momentos em que Caetano e Roberto cantarão sozinhos, mas a maioria das canções será em dueto. Cada artista será acompanhado por sua respectiva banda e por uma orquestra formada por 21 integrantes, com 14 violinos, três violas, três violoncelos e um baixo. À frente dos músicos de Roberto estará o maestro Eduardo Lages. Jacques Morelembaum comandará o time de Caetano. Entre os especialistas no repertório de Tom Jobim, estarão seu filho, o pianista Daniel Jobim, além de Jorge Helder (contrabaixo), Paulo Braga (bateria) e Carlos Malta (sopros), entre outros.
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